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Jordan x LeBron

02/08/2010

 

Evolução... será?

 

Michael x LeBron, Jordan x James. As pessoas por vezes procuram similaridades onde, na verdade, as diferenças são maiores e mais relevantes. Acontece em todos os esportes e em todos os lugares. É difícil para o ser humano aceitar que ele talvez já tenha visto o que de melhor poderia existir em um determinado segmento, daí a busca pelo Novo Jordan sempre que um jovem espetacular desponta no basquete, pelo Novo Pelé quando um moleque destaca-se no Santos, pelo Novo Senna quando um brasileiro ultrapassa na Fórmula 1. No caso de Jordan e LeBron, a comparação é mais do que inútil pelo fato de que as diferenças sobrepõem-se de tal forma às semelhanças que ultrapassam o próprio âmbito das habilidades na quadra de basquete e tocam no ponto do abismo existente entre duas gerações: os anos 90 x anos 2000.

Podem me chamar de velho, saudosista, nostálgico, old school, o que quer que seja, mas as coisas não são como costumavam ser. Nos anos 90 as coisas eram mais simples, mais puras, melhores em vários sentidos eu diria. As provas disso extrapolam o mundo do basquete e até mesmo do esporte. Vejamos alguns exemplos…

 

Nas palavras de Puff Daddy: nós sentimos sua falta Senna!

 

No boxe nós tinha-mos “Iron” Mike Tyson ostentando o título de homem mais forte e empolgante do mundo, destruindo adversários em segundos nos pesos-pesados, enquanto que hoje temos dois irmãos ucranianos, gigantes, lentos e chatos dominando a categoria mais importante do esporte com vitórias por pontos. Não para por aí, na nossa querida Fórmula 1 nós éramos premiados todos os domingos com shows de Ayrton Senna nas pistas e pasmem, ele dividia curvas e brigava por posições com companheiros de equipe! Hoje nós somos insultados todos os domingos por Felipe Massa e cia. Saindo do mundo dos esportes, o maior espião do mundo também viu dias melhores na gloriosa década final do século XX. James Bond costumava ser um espião, com classe, cérebro e destreza. Nos últimos tempos o outrora nobre 007 parece mais um gorila, um boçal ala Vin Diesel, que dá porrada em todo mundo como se estivesse em um filme chinês de quinta-categoria. E o que falar sobre séries de TV então? Parafraseio o grande Jerry Seinfeld para resumir: Vampiros, os diários deles são os piores! Por fim, até as coisas ruins eram menos piores.  Backstreet Boys e NSYNC eram modinhas deploráveis, mas que diabos é família Restart?!

No mundo da NBA a “evolução” parece ter tomado o mesmo caminho decadente de todo o resto. Usarei os três critérios infalíveis ao se avaliar a qualidade de uma liga: a face da liga, as rivalidades e os ídolos.

1991: a NBA e o mundo curvam-se ao maior jogador da história, Michael Jeffrey Jordan, após o Chicago Bulls baterem Magic Johnson e os Los Angeles Lakers nas Finais da NBA. O melhor de todos os tempos foi a face da liga americana e do basquete mundial durante toda a década, vencendo 6 títulos em apenas 8 temporadas jogadas, sem nunca perder uma série nas Finais. Na NBA dos anos 2000 a face da liga é LeBron James. Tendo sido draftado em 2003, LeBron jogou 7 temporadas na década, chegando apenas uma vez nas Finais, nas quais ele não venceu um jogo sequer.

No passado existiam dois belos conceitos fortemente marcantes na NBA, na minha opinião indispensáveis a qualquer liga que se preze: rivalidade e fidelidade. As grandes estrelas tinham prazer em construirem seu próprio time e competirem contra os outros grandes jogadores da liga. Existia uma fidelidade e uma conexão muito grande do astro do time para com a comunidade a qual o idolatrava e torcia por ele todas as noites. Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Hakeem Olajuwon, Isah Thomas, David Robinson todos venceram em grande estilo em suas cidades. Eles tinham grandes times para os ajudarem mas, no fim do dia, cada time tinha a sua estrela e era ela quem trazia o título para casa. Mesmo astros que  não chegaram ao topo da liga com suas equipes ainda sim mantiveram-se fiéis e lutaram até o final tentando atingir tal glória. Reggie Miller, John Stockton, Karl Malone, Dominique Wilkins, Tim Hardaway, Alonzo Mourning, Patrick Ewing, Chris Webber mantiveram a liga forte e competitiva lutando por títulos em seus times e, mesmo sem terem chegado ao topo, criaram grandes rivalidades e fizeram jogos inesquecíveis os quais ajudaram a NBA a se tornar um fenômeno de proporções mundiais. A idéia dos melhores jogadores era de vencer os melhores, não juntar-se a eles para vencer. Eram competidores de verdade, com o corações de verdadeiros campeões.

Uma vez que essa gloriosa geração deu lugar os meninos que dominam a NBA agora, muito disso se perdeu, infelizmente. Hoje as estrelinhas da liga são figuras arrogantes e mimadas, os quais ao invés de competirem até a última gota de suor e sangue, sendo fiéis às suas comunidades e aos seus fãs, procuram “sucesso” por caminhos pouco dignos. Demandar trocas para times melhores, quando a causa do fracasso de seus times é a sua própria incapacidade virou moda na NBA. O nome de Chris Paul vem à mente. Chris Bosh desistiu do seu time o qual lutava para uma vaga nos Playoffs para juntar-se a Dwyane Wade e LeBron James para formar os Três Patetas de Miami. O pior de tudo foi a face da liga, o suposto ‘Novo Jordan’ (heresia é pouco…) destruir o time e o coração dos fãs de seu estado natal em um show de TV ao vivo anunciando sua covarde decisão de juntar-se a outras duas estrelas para tentar finalmente vencer um jogo nas Finais. Maior que o talento de James é seu próprio ego.

Acredito que o ponto fica bem claro após a dissecação de vinte anos de basquete, esportes e outras faces do mundo do entretenimento: Michael Jordan e LeBron James tinham apenas um ponto em comum, o número da camisa. Sendo que James passa a usar a camisa de nº 6 no Miami Heat, já não há mais nenhum motivo para que continue a tola comparação entre o Maior de Todos os tempos e o dono do maior EGO de todos os tempos. O mundo pode ter mudado, assim como mudou a NBA, mas o conceito de sucesso, de grandeza e de ídolo não. O verdadeiro campeão nunca desiste, isso não é uma opção para o grande competidor, ele encontra maneiras de vencer ou morre tentando. Lebron nunca será Jordan – como lê-se em sua estátua em Chicago “o melhor que já existiu, o melhor que irá existir” – então vamos parar de procurar pelo melhor da história pois ele já existe, já jogou, já venceu e nunca haverá outro igual, muito menos melhor. James pode ter o maior ego do mundo, mas o coração do verdadeiro campeão nele não está presente e foi isso que fez Michael Jeffrey Jordan tornar-se Michael “Air” Jordan. Trabalho duro, lealdade, sede insaciável de competição são qualidades possuídas por poucos. A mescla destas com talento e potencial físico fenomenais fazem a combinação única do jogador perfeito. Essa combinação quase impossível já aconteceu uma vez e não acontecerá novamente. Aprendam a viver com isso.

Apesar disso, não se preocupem, nós ainda temos bons saudosistas para assemelhar a NBA de hoje àquela dos tempos de Michael. Kobe nunca deixará o fogo da competição morrer. Paul Pierce nos manterá atentos ao valor da fidelidade. Juntos eles proporcionam as batalhas que nós amamos e as quais demonstram a beleza da rivalidade. A perseverança fica a cargo de Steve Nash, que nos lembrará até o fim de sua jornada do espírito do campeão, lutando até o fim pela glória maior. E uma vez que eles pendurem os cadarços, Kevin Durant e Derrick Rose estarão prontos para serem as novas Faces da Liga e, com a ajuda da legião de estrangeiros que hoje temos na NBA, continuarão deixando a liga americana no topo do mundo e trazendo felicidade para nós apaixonados pelo basquete. Não há nada como os anos 90 mas o novo milênio não é de todo mal!

Jay Ernani

4 Comentários leave one →
  1. Luiz Felipe permalink
    02/08/2010 00:00

    1º a ler
    I LOVED IT xD
    tirando a parte sobre o diario dos vampiros
    huehuehue

  2. Homero Marchese permalink
    02/08/2010 15:28

    Grande Jay! Não concordo com tamanha paulada no Lebron (Jordan foi campeão em sua sétima temporada na NBA, Lebron chegou perto disso; Lebron já é o cestinha da NBA; os Bulls de Jordan eram muito melhores que os Cavs de Lebron), mas o conhecimento do passado da liga e o estilo da redação farão deste blog um sucesso. Entrarei sempre.
    Estive recentemente nos EUA durante as finais da NBA e pude constatar in loco a fantástica mobilização do país que uma final entre Celtics e Lakers provoca. A rivalidade dos times é incrível. Aliás, tá aí uma ótima pauta para os próximos textos. Abraço. BEAT L.A.!

  3. Gustavo Foresto permalink
    02/08/2010 17:33

    Fala Jay,

    Parabéns pela iniciativa, pelo site em si e pelo motivo que estou escrevendo o texto a cima.
    Apesar de já ter discutido muitas dessas idéias com você antes fiz questão de dar um confirida.
    Aprovado! Você escreve bem, não fica uma leitura pesada!

    Ainda estou te devendo aquele basquetinho!

    Saudades, abraços e “TEM QUE SER!” huauhauhauha

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