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O amor à camisa e a lealdade morreram?

25/08/2010

Não, este artigo não será apenas para criticar LeBron James. Quero dizer, é, mas é apenas parte dele. E mesmo assim, ele não é o único “objeto de estudo” meu hoje.

Este texto “começou” em uma conversa pelo MSN com o Jay. Será que a lealdade ao time, o quase lendário amor à camisa, morreu até mesmo na NBA? Sim, no futebol é normal vermos jogadores trocarem de time como quem troca de cueca. Basta ver jogadores como Leandro Amaral, um cara patético em campo mas que mesmo assim conseguiu convencer Flamengo, Fluminense e Vasco de que sabe jogar bola.

Na NBA o cenário é bastante diferente. A “regra” é o jogador permanecer com seu mesmo time o máximo de tempo possível. As próprias legislações da liga favorecem isso, permitindo que times paguem quantias maiores por jogadores que já sejam deles. Tanto que quando um jogador muda de time várias vezes, ele é muitas vezes referido como um “journeyman”, um viajante de times – um “título” pouco honroso e pouco utilizado.

Magic e Kareem

As grandes estrelas fizeram suas carreiras com um, no máximo dois times. Michael Jordan, por exemplo, é sinônimo com as cores do Chicago Bulls; Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar, Jerry West e Elgin Baylor com as do Los Angeles Lakers; Larry Bird, Bill Russell, Kevin McHale e Bob Cousy com as do Boston Celtics; e por aí vai. Esta característica não só era comum entre eles como também era louvável. Existem sim casos de jogadores que mudaram de time no final de suas carreiras, mas que mesmo assim são identificados com uma equipe, que é o caso de Jordan e o Wizards, Karl Malone (que por anos defendeu o Utah Jazz antes de encerrar a carreira com o Lakers), Abdul Jabbar (que iniciou sua jornada com o Milwaukee Bucks), Hakeem Olajuwon (estrela do Houston Rockets que jogou pelo Toronto Raptors), Patrick Ewing (que trocou o New York Knicks pelo Orlando Magic e Seattle SuperSonics nos seus últimos anos), etc. A lista é longuíssima, poderia passar o dia todo citando nomes.

Mesmo em casos assim, tais jogadores sempre defenderam seus mantos com honra, raça e amor, sendo símbolos de suas franquias desde então. Histórias como estas, no entanto, parecem estar chegando a um fim. LeBron, nascido e criado em Ohio, deu uma facada nas costas de Cleveland e dos Cavaliers ao anunciar em rede mundial que abandonaria sua equipe pelo Miami Heat. Chris Bosh, então, largou o Raptors para segurar vela de James e Dwyane Wade em Miami. Agora vemos jogadores como Carmelo Anthony, que há 10 dias vem populando as Notícias do Dia aqui no NBA 1on1 com rumores de troca, e Chris Paul, um armador excelente, mas que passou tanto tempo no departamento médico quanto nas quadras. O que esta dupla conseguiu em suas carreiras? Nada. Zero. Zip. Zilch. Nothing. E agora eles querem trocar de time sem mais nem menos?

That's just wrong, man...

Existe uma diferença crucial, por exemplo, entre Kevin Garnett, Ray Allen, Malone, Olajuwon, Ewing e outros tantos para estes jovens. Os primeiros deram o sangue pelos seus times, jogavam lesionados, buscavam e tentavam até o fim. Muitos deles esbarraram em jogadores e times superiores, uma infelicidade que ocorre todo ano. No final de suas carreiras, alguns foram “premiados” com um novo time ou então abandonaram suas ex-equipes tendo em vista um novo título ou até mesmo o seu primeiro título. Eles não desistiram no meio de suas carreiras e pensaram “bem, acho que se eu for para outro time tudo ficará bem, né?”

Mostre-me LBJ trotando em quadra contra o Boston Celtics em 2010 que eu lhe mostro Michael Jordan e Scottie Pippen jogando lesionados ou adoentados jogo atrás de jogo durante os anos 90. Mencione ‘Melo Anthony querendo sair de Denver e eu lhe falo de KG, um homem que só faltou fazer chover em 2004, mas esbarrou em um Los Angeles Lakers inspiradíssimo. É possível dizer até que Anthony teve, em seus sete anos de NBA, mais ajuda que Garnett teve em seus primeiros sete anos de liga. Anthony jogou com Chauncey Billups, Allen Iverson, Andre Miller, Kenyon Martin, Marcus Camby e Nenê Hilário. Já Garnett aturou Tom Gugliotta, Stephon Marbury ainda novato, Rasho Nesterovic, Terrell Brandon, Wally Szczerbiak… Mesmo aturando estes “craques”, KG não desistia, característica de um grande jogador.

Durant e Rose: a nova esperança

“Ah, você só fala isto porque é um velho que não acompanha as tendências”. Tendência uma ova. Se isto é tendência, parem o mundo para eu descer. Vejo jogadores “das antigas” ainda hoje que – espero eu – me farão orgulhoso novamente. Falo de jogadores como Kevin Durant e Derrick Rose, jogadores que trabalham duro, dão o sangue em quadra e que, se tudo der certo, sucederão Kobe Bryant, Dirk Nowitzki e Paul Pierce como jogadores Hall da Fama que permaneceram toda sua carreira com um mesmo time, independente das circunstâncias.

Obs.: Não citei durante o texto, mas o real motivo deste meu rompante chama-se Shaquille Rashaun O’Neal, um jogador lendário, possivelmente o mais dominante pivô de todos os tempos e que conseguiu estragar sua relação com a torcida quatro vezes: de Orlando para Los Angeles, de LA para Miami, de Miami para Phoenix e de Cleveland para Boston. Um craque do quilate de O’Neal infelizmente vai para a história como o Craque Sem Time, algo que, se Deus existe, não existirá mais.

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